CASA DE PASTO, ONDE O REPASTO É FEITO COM COMIDA DE CONFORTO E AMBIENTE FAMILIAR

CASA DE PASTO, ONDE O REPASTO É FEITO COM COMIDA DE CONFORTO E AMBIENTE FAMILIAR

Conheça um discreto restaurante em Lisboa que “é uma casa portuguesa, com certeza!”

 

Já dizia o célebre fado eternizado na voz de Amália Rodrigues:

“Numa casa portuguesa fica bem
Pão e vinho sobre a mesa
E se à porta humildemente bate alguém
Senta-se à mesa co’a gente”.

É exatamente assim que podemos descrever a Casa de Pasto, um discreto restaurante em Lisboa que “é uma casa portuguesa, com certeza!”.

Não falta vinho, não falta pão, e tampouco elementos que nos remetem à casa das nossas avós, carregadas de lembranças culturais e religiosas, e claro, a “retrochique” comida de conforto.

O AMBIENTE

Instalada num primeiro andar de um antigo casarão na Rua de São Paulo, a Casa de Pasto é inspirada nas tradicionais casas de pasto lisboetas de finais do século XIX (conceito que se situava entre a taberna e o restaurante). Com uma decoração revivalista ao longo das várias salas que recriam um ambiente familiar, o pé direito alto e as luminosas janelas com luz natural a entrar por todos os recantos da sala reforçam a ideia de conforto e aconchego de uma casa modesta. Do lado de fora, parece uma pensão de poucas virtudes; do lado de dentro, é um dos restaurantes com melhor ambiente de Lisboa. E comida, claro!

Há bibelôs por todos os lados: galinhas de borracha penduradas, com direito a fazer até barulho, porcos de cerâmica, santos, loiça Bordalo Pinheiro… tudo convida à interação, inclusive a casa-de-banho, com projeções audiovisuais.

E se as mesas coletivas convidam para o convívio, a gastronomia portuguesa – que aqui aparece aliada às técnicas da alta cozinha – é um convite a relembrar as memórias de infância e também a ementa que nos faz viajar a sabores e texturas de outros tempos.

A EMENTA

Logo que se entra, damos de cara com o bar do restaurante com atmosfera meio retro meio fancy e simpáticos empregados a preparem cocktails vistosos e variados.

A aposta vai, assim, para uma “cozinha de época”, com pratos de tacho, forno e grelha, com enfoque na comida de Lisboa, à base dos produtos frescos e sazonais. Mesmo antes de Mick Jagger a ter escolhido para jantar, já a Casa de Pasto contava com um séquito de admiradores do Chef Diogo Noronha, que esteve à frente do restaurante desde a inauguração em 2013 até finais de 2016, altura em que saiu e passou o testemunho ao jovem chefe Hugo Dias de Castro.

Hugo, de 28 anos, é uma figura caricata que ostenta um bigode impecável de fazer inveja a qualquer dândi moderno. Já teve passagem por sítios emblemáticos como o 100 Maneiras, o Restaurante Terraço do Hotel Tivoli, ao lado de Luís Baena, e o Restaurante Tavares Rico, com Aimée Barroyer. Colaborou com Heinz Beck, no Gusto, o restaurante da cadeia Hilton Conrad Algarve, e com Edwin Vinke (2 estrelas Michelin), no The Kromme Watergang, na Holanda, onde morou um ano. Regressou a Portugal para trabalhar com Pascal Maynard no Hotel Ritz Four Season, onde esteve até ser convidado pelo chef Manuel Lino para o Tabik, restaurante que chefiava ultimamente.

Provamos a sugestão “Nas Mãos do Chef”, um menu diário sujeito aos melhores produtos que o chef encontra no mercado. Uma sopa, três entradas e um prato principal, regra geral de tacho, para partilhar no mínimo entre duas pessoas.


Assim deu-se início ao serviço: um creme de marisco aveludado que sabia deliciosamente à fumado, com ovas de tobiko por cima. Na sequência, rissóis de berbigão de massa bem sequinha por fora e recheio muito cremoso por dentro, um mimo para os amantes de fritos. Queijo de ovelha de Entorna com tostas de pão saloio, e ainda, a tão portuguesa morcela, que aqui vinha acompanhada de uma textura incrível de maçã, completam as entradas; uma combinação um bocado exótica, mas de implorar por mais.

De prato principal, um saborosíssimo arroz de gambão, com ovas de tobiko e algas; impecável e que sabia mesmo a caseiro.


Para terminar, o melhor é que no fim do repasto o prazer da confort food supera a expectativa: um maravilhoso bolo de cenoura com gengibre e chocolate branco, uma espécie de bolo de rolo brasileiro bem ‘molhadinho’ e que diria eu, o melhor que já comi do género.

O preço individual para deixa-se ficar nas mãos do chef é de 25 euros (não inclui bebidas nem sobremesa).

E se “a alegria da pobreza está nesta grande riqueza de dar, e ficar contente”, aqui vais sair a sorrir a relembrar dos “pormenores” com a minúcia de fazerem da visita uma experiência para recordar.

É uma casa portuguesa, com certeza! É, com certeza, uma casa portuguesa!

Ah! Não se esqueça de marcar com antecedência porque costuma estar cheio.

CASA DE PASTO
Rua de São Paulo, 20, 1.º andar (cais do sodré)
Aberto de Seg a Sábado a partir das 19h
Contato: 963 739 979

www.casadepasto.com

Glauco
glauco@senhorestilo.com
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